sexta-feira, 3 de março de 2017

Homem Lixo (Resenha)

Resenha do álbum “Homem Lixo” da banda homônima.



De Rio do Sul, surge um pessoal demasiadamente peculiar, com letras regadas a experiências pessoais, cachaça e abordagens anticapitalistas.

O grupo de hardcore Homem Lixo surgiu em 2010, com o intuito de apresentar músicas sarcásticas, irônicas e cômicas, sem ambições. O nome um tanto incomum da banda, surgiu através de um personagem que lhes chamava a atenção durante os ensaios, tratava-se de um mendigo que era invisível aos olhos da sociedade, que defasada exclui as pessoas marginalizadas.

Uma característica dos músicos é a apresentação nos palcos com sacos de lixo, o que torna o espetáculo mais ímpar. Os membros da banda são André [China] (Vocal), Franck (Baixo e Voz), Alex (Guitarra e Vocal) e Gabriel (Bateria).

Nestes sete anos, o grupo já lançou três Eps e um full length denominado “Homem Lixo”, no qual possui 15 músicas, obtendo duas faixas extra, “Cubatão” e “Gás Metano”.  O disco fora lançado no ano de 2016 de maneira independente. 
Abaixo está a resenha do mesmo:

A faixa de introdução do álbum, “Abre o Olho pra Vida”, já mostra a personalidade da banda, que traz uma sonoridade rápida e vocais fortes. A temática da letra, se forma em tom de aviso ao repetir majoritariamente o verso que dá nome à faixa “Abre o olho pra vida senão vai se fuder”.

A segunda faixa, intitulada “Apagão”, apresenta vocais mais limpos concomitantes à sonoridade sólida e ágil. A temática da letra, assim como o título expõe, trata de forma bem-humorada as situações propiciadas pelo colapso de energia.

“Drogas Legais”, a terceira faixa do disco, segue com vocais predominantemente limpos e instrumental rápido durante os breves 1:15 min de música. A canção surge como uma crítica ao intenso comércio de medicamentos que causam dependência, porém são distribuídos de forma lícita, já que servem para nutrir a indústria farmacêutica.

Os vocais timbrosos dão o ar inicial de “Cachaça”. Predominantemente, a letra ressalta os benefícios da aguardente que na música é mencionada de maneira icônica e como uma forma de sanar os problemas. A canção possui um videoclipe com a participação das bandas Leptospirose e Invasores de Cérebros, o mesmo obtém sete mil visualizações no Youtube. Tal clipe foi gravado em torno de um bar na cidade de Rio do Sul-SC.



A quinta faixa “Úteros Malditos” trata-se de uma intro da canção seguinte “Empadinha de gente”. Ela traz trechos de uma reportagem de 2012 que noticiava o esquartejamento por parte de uma seita, que pregava “a purificação e diminuição populacional”.

Continuando com a mesma temática da intro, a sétima canção ressalta o ato de canibalismo propagado por pessoas que se apresentavam de forma inocente, através de atitudes clérigas, todavia se revelaram verdadeiros psicopatas. O instrumental é uma junção de riffs brutais complementado de um vocal cru, mais intenso que os outros.

Uma das mais conteudistas é “Homem Lixo”, a homônima em seus instrumentos é marcada de forma ríspida e brutal. A letra embasa a triste realidade dos moradores de rua e a exclusão social notável da sociedade que oculta a existência de tais.

A oitava faixa “Mais Um No Mundo” é uma metáfora com o atual cenário político nacional. A música mostra um descontentamento de um típico cidadão brasileiro pobre, sem esperança de futuro. A potencialidade e a agressividade são características marcantes com a sonoridade da mesma.

“Boqueteira” é uma canção cômica onde expõe, de forma autoexplicativa, os desejos sexuais de uma mulher que é viciada em sexo oral.  A música é mais lenta e mantém trechos de sexo em grande parte dela.

A décima faixa é intitulada “Gás Metano”. Ela aborda questões sobre o meio ambiente, tratando a emissão de gases soltados pelos gados e os danos que causam à atmosfera.  O instrumental é linear, pesado e árduo.

Um clássico que não pode faltar nos shows do grupo, é a faixa “Trabalho”. A mesma exibe traços nítidos de desigualdade social e má distribuição de renda. O trabalhador citado na canção é a personificação da exploração frequente, enraizada na sociedade. A sonoridade é singular e agressiva fazendo com que o ouvinte se aproxime da realidade expressada. Ela possui duas mil visualizações no YouTube.



“Sai Que Vou Vomitar” recria uma situação rotineira dos bares, onde a pessoa bebe demais misturando várias bebidas e no fim regurgita e passa mal.  O instrumental é caracterizado pela celeridade e rapidez que a música se sucede.

A décima terceira canção é denominada “Mula Manca”. A faixa mostra resquícios de zoofilia caracterizados por um rapaz entorpecido que não conseguia controlar seus impulsos sexuais. Os riffs são ágeis e intensos, alternando em vários momentos da música.

A faixa seguinte “Morte Não Tem Nome” denota a inevitabilidade da morte e sua imprevisibilidade como nos versos “Não tente correr, não tente rezar”.  São 02:02 min de petardos sonoros e brutalidade do instrumental.

A décima quinta música trata de uma doença transmitida pelo Aedes aegypti, a “Chikungunya”. A canção é instrumental e interliga com a próxima faixa do disco, “Cubatão”.



A primeira canção bônus, “Cubatão”, é um cover de Psychic Possessor. Ela ressalta um problema ambiental, que é o descarte indevido do lixo urbano na cidade, a qual é conhecida por já ter sido considerada a mais poluída do mundo. A banda fez um videoclipe com restos de lixo e entulhos advindo da catástrofe ambiental, que ocorreu devido as enchentes em Santa Catarina, no ano de 2011.  O clipe obtém a marca de nove mil visualizações.

O encerramento do disco e a última faixa bônus é “Gás Metano”, música esta que repete, porém possui a participação especial do ex guitarrista Márcio Schwinden que faleceu em 2012.

A arte foi elaborada por Renan Alves e a foto pelo ex baterista Doug Theiss.

As plataformas virtuais da banda estão abaixo:



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