sábado, 25 de agosto de 2018

Parceiros do Underground #7: Marcio Gomes (Skullto)

A sétima edição do “Parceiros do Underground” teve com foco, a difusão dos materiais virtuais e assuntos relacionados ao cenário catarinense musical.
O bate-papo dessa vez foi com o publicitário Marcio Gomes da mídia independente Skullto de Florianópolis - SC que contou-nos um pouco mais sobre sua trajetória na música.




Quando você teve o primeiro acesso à musica, ao Rock/Metal?
Marcio: Contato mesmo aos meus 14 anos, isso em 1992 me apresentaram uns vinis, e no rolo veio:  Motorhead “No Sleep ‘till Hammersmith', Helloween “Live In The U.K.”, Iron Maiden “7 son of the 7 son”,  Venom “Black Metal”, Accept, Ac/Dc, Sepultura, Metallica entre outros. Foram uma semana de pauleira rolando com uns brother da mesma faixa etária.

A Skullto está ativa há quanto tempo na imprensa independente? E qual objetivo inicial do Fanzine?
Marcio: O Skullto foi criado em 13 julho de 2017, completou um ano. O objetivo inicial era disponibilizar o material para download com o consentimento da banda. Porém, muitas se propuseram disponibilizar, outras colocaram restrições. Mas, a maioria dos grupos que está no site aceitaram!

Mas, eu já fazia fanzine, em 1995 criei o Sound Penetration Zine, o qual obtive muitos contatos como: Anthares, Blessed (banda do finado Fabiano Penna), D.F.C, Tormento dos Vizinhos, Dark Avenger (difícil de engolir até hoje a partida do grande Mário Linhares), Post Trevor (Tubarão/SC), In Memorian, Concreteness, Hard Money, White Frogs, Blind, Calibre 12. Em 1996, eu e o Sérgio do Fly Kintal Zine recebíamos muitas bandas 4fun, mas, colocávamos nos fanzines, porém, era algo que víamos com certo receio e resolvemos montar o Todo Juca Zine, para tirar sarro, fazer tirinhas cômicas e direcionado para as bandas 4 fun.

Quais são as suas principais influências musicais?
Marcio: Curto muito Thrash Metal e Crossover, mas, sou bem eclético, escuto Punk, Hardcore, MPB, saudosamente alguns bregas que lembram meu Avohai (como dizia Zé Ramalho) e isso é marcante para mim.

Como se dá o processo de elaboração de matérias? Você utiliza algum critério em especial?
Marcio: A banda envia o material e é divulgada independente do estilo, lógico existem as exceções, as quais incitem violência ou imposições políticas, deixando desconfortável o próximo. Estes assuntos que devem ser analisados.

Para você, quais foram as principais postagens divulgadas no site desde o seu início?
Marcio: Trato todas com a mesma importância, a energia em fazer a matéria é sempre animada, mas, lógico, quando vemos bandas antigas como: Salário Mínimo disponibilizando o material e matéria, Torture Squad, 40 anos de Punk, marcam bastante!

Qual sua visão sobre o cenário catarinense musical e suas respectivas mídias?
Marcio: Olha, sou de Manaus, morei em Santo André/SP por cinco anos, mas, aqui a Cena é bastante agitada, bem ativa!!! Festivais acontecendo simultaneamente, agora, uma coisa me chamou bastante atenção e comum em todos os estados, o mesmo bla bla bla de que a cena está fraca, que o público não coopera, músicos não ajudam a divulgar o próprio show, isso sempre existiu e sempre existirá.
Fui em um show onde 2 pessoas (eu era 1) estavam assistindo a banda que nem vou citar para resguardar, os caras vieram de SP e em seguida foram tocar outro dia num festival. Os caras tocaram com a mesma ênfase como se tivesse um público gigantesco.

As mídias, acho muito foda e que se ajudam!!! Correm atrás de matérias e materiais a divulgarem, sempre buscando inovação, apps, web rádios, vídeos.

O nome Skullto traz à tona várias interpretações como o de “escutar” e de “skull (caveira)”. Como foi o procedimento de escolha?
Marcio: Cara, eu estava chamando dois amigos para fazer o site comigo, e tinha outro nome, tipo “énoise”. Uma bela noite cheguei do trampo, fui tomar banho e estava martelando o projeto na mente, até que eu lembrei de uma pulseira que comprei de um hippie, comprei uma para mim e outra para meu filho.
Gosto muito de brincar com a palavras fazer trocadalhos do carilho kkkkkkk, então, veio em mente isso, a skull da pulseira e ela tem a Rosa dos Ventos, justamente da ideia anterior que era colocar bandas underground de todos as regiões (Norte, Sul, Leste e Oeste).  Isso encaixou perfeitamente na ideia, de repente eu tinha verbalizado eu skullto, tu skulltas, eles skulltam, nós skulltamos, vós skulltais e eles Skulltam.
Porra, foi a sacada, parei, pensei Skull (Caveira) + Escuto e no meio algo dando sentido a cultuar o underground onde se encaixa o som de cult também. Neste mesmo dia fui verificar se tinha domínio registrado nas redes sociais sobre o nome.

Acho muito interessante o jeito com que você aborda as suas respectivas postagens, sempre mantendo o critério imparcial e fomentando a legalidade na elaboração das pautas. Qual a receptividade das bandas acerca das suas matérias?
Marcio: São bem aceitas, inclusive, retornam com qualquer novidade ou atualização, para que seja novamente divulgado. Eu altero, ajusto, atualizo, crio novas postagens, para saber realmente o que acontece.
Eu gosto de respeitar sempre as características de cada banda/projeto, assim, como os direitos autorais, afinal, sabemos as lutas vividas para que um projeto se concretize e tornar público sem consentimento é um ato desonesto, assim, como queremos um país melhor, devemos começar em pequenos atos e um deles é o respeito.
Por isso sempre dou ênfase na legalidade pelo consentimento do trabalho divulgado e respeitar as legislações, evitando quaisquer problemas e inclusive mantendo o site no ar sem estar em blacklist.

Há algum novo projeto em desenvolvimento?
Marcio: No momento, não.

Você acredita que ainda acontece segregação de estilos no nicho independente musical?
Marcio: Sempre há, hoje em dia menos, mas, existem sim uma minoria que querem se impor.

Qual sua visão da ascensão de materiais virtuais?
Marcio: Eu ainda curto mesmo o material físico, valorizo a arte, o artista, as ideias. A ascensão virtual é ótima na ampla divulgação da banda, lembro que antigamente para receber umas dt’s, quando não eram extraviadas, eram quebradas pelo carimbo do correio.
Era bem complicado, você fazia um trabalho manual de troca de carcaças, e aí tinha uma novidade para tocar no deck, se não desse o azar de ter cortado a fita ou ficar machucada, quando chegava em um bom estado, maravilha, e demoravam aí uns 15 dias, para ouvir o som da banda.
Hoje, você subiu, indicou em menos de um minuto você pode estar com um material de outro lado do mundo. Porém, a arte ficou em segundo plano, mesmo assim, é um ótimo canal de divulgação!

Cinco bandas catarinenses.
Marcio: Battalion, Skombrus, Khrophus, Insurgentes e Insalubre

Cinco bandas brasileiras.
Marcio: Krisiun, Korzus, Zumbis do Espaço, Ratos de Porão e Salário Mínimo

Cinco zines independentes.
Marcio: Aqui vou misturar um pouco o tradicional com as mídias online: curto muito o Fly Kintal Zine de Manaus/AM, Unidos Pelo Metal de Mauá/SP, Cultura em Peso, Comando Metal Zine e FanzineMosh.

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade pela entrevista. Se puder, deixe um recado para quem nos acompanha.
Marcio: Conheci o Guigo há pouco tempo, mas admiro o trabalho dele frente a Urussanga Rock Music, correndo atrás de entrevistas, de unir as mídias. As abordagens diretas sem rodeios e com conteúdo bastante rico!!!! Vale muito acompanhar o trabalho do Guigo!!!


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