sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Parceiros do Underground #8: Nathalia Neiva (Coletivo Brasa)

Dessa vez o Parceiros do Underground em sua oitava edição explicita um pouco da trajetória da Nathalia Neiva que é idealizadora do Coletivo Brasa, produtora independente responsável por movimentar o cenário do HC catarinense.

A designer nos contou acerca da sua trajetória no underground e sobre os novos projetos relacionados a música. 



Como foi o seu primeiro contato com o Rock/Metal?

Nathalia: Acho que foi assim como o de muita gente: família.
Lembro que eu tinha uns 7 anos quando comecei a escutar os meus primeiros “rocks”. Conheci bandas como Linkin Park e Cpm 22 (que estavam bem em alta na época) por meio de um primo mais velho. Depois do primeiro contato, nunca mais parei (risos).

Quando surgiu a ideia da criação do Coletivo Brasa?
Nathalia: Surgiu após uma proposta para armar um show do Bullet Bane (SP) há um ano. Três amigos que já haviam tido uma ou duas experiências com produção de shows, mas nunca se comprometido de fato como algo maior. Foi então que eu propus a ideia do Coletivo para meus sócios (na época), ambos toparam e seguimos com o planejamento para aquele show e para os demais que vieram a seguir.



Qual o intuito do surgimento da mídia e o procedimento de designação?
Nathalia: O Coletivo Brasa nunca foi visto como uma produtora de fato, tanto que trabalhamos sem fins lucrativos. O intuito do surgimento e o principal motivo de existência é a possibilidade de nos integrar e nos conectar com a cena independente e autoral brasileira, de maneira que pudessemos formar uma teia de relações com amigos, bandas, estúdios, casas de show e artistas em geral. Como nossa visão sempre foi muito fraternal, tudo foi fluindo de forma natural.

Quais as principais matérias que destacaria como as melhores?
Nathalia: Todas as experiências que eu tive por meio do Coletivo Brasa foram fantásticas, mas é claro que conforme o tempo foi passando as coisas iam melhorando de forma gradual. Acho que o grande marco foi o começo deste ano, onde realizamos, ao lado do amigo Felipe Conrad (Porão do Som), o “Hardcore Is Back 5”. A partir deste evento nossa visibilidade e nossa maneira de pensar/agir foi se tornando cada vez mais profissional. Começamos a acreditar de verdade que o tempo investido em nossos sonhos nos levaria a algum lugar.
Mas acredito que tudo começou a vingar de fato no segundo semestre de 2018, quando fechamos parceria com o O’brien’s Irish Pub de Balneário Camboriú. Lá já realizamos eventos inesquecíveis: Bullet Bane (SP), Menores Atos (RJ), End of Pipe (SC) + Bizibeize (SC) e a incrível 1ª edição do Festival de aniversário do projeto, o “Grrrls To The Front” com a participação do Miami Tiger (SP).

Como se dá o procedimento de elaboração das matérias? Há algum critério utilizado?
Nathalia: Fazemos tudo com muito amor, mas como trabalhamos sem fins lucrativos sempre optamos para eventos que sejam de total interesse nosso, envolvendo nossos gostos pessoais. Mas de qualquer maneira sempre tentamos ajudar quem nos procura. Se não conseguimos encaixar na nossa agenda, estamos sempre prontos para apoiar eventos de bandas amigas de alguma forma. Indicamos casas, realizamos divulgações em nossas mídias digitais e incentivamos a produção artística em nossa região.

O meio Rock/Metal tem certa predominância machista. Você já enfrentou algum preconceito relacionado a isso por ser mulher?
Nathalia: Particularmente não me lembro de ter enfrentado algum tipo de preconceito direto por ser mulher, na verdade comigo sempre teve muito carinho pelos amigos que fiz por meio do Coletivo Brasa. Mas, em contrapartida, sempre há o machismo indireto neste meio. Muita gente considera que se existe membro homem na equipe, supostamente é ele quem toma as frentes do projeto.

Há receptividade das bandas com o seu trabalho? Há alguma experiência negativa?
Nathalia: Desde o começo a receptividade foi enorme. Agradeço de coração por todo apoio e confiança que as bandas depositam no nosso projeto. Zero experiências negativas!

Como você enxerga o papel das mídias no cenário atual independente?
Nathalia: Eu acho de extrema importância! Nós nos criamos por meio de mídias digitais e continuamos vivos por elas. Resistimos juntos justamente pela conexão que mantemos uns com os outros virtualmente, já que não contamos mais com o apoio das grandes mídias de comunicação, como era no começo dos anos 2000. Infelizmente não existem mais espaços para as pessoas conhecerem o cenário independente de forma “mastigada” como acontecia na falecida MTV, por exemplo. Hoje as pessoas tem que procurar por isso.

Quais os novos projetos para o Coletivo Brasa?
Nathalia: Para este ano já temos confirmado:
19/10 - Hardcore Contra O Fascismo - Edição Baln. Camboriú: Bayside Kings (SP) + Fatal Blow (SC) + Ataq Coletivo (SC)

17/11 - Blackjaw (SP) + Wiseman (SP)
23/11 - Bullet Bane (SP) + Manual (SP) + Quazimorto (SC)

O cenário HC catarinense é unido?
Nathalia: Sim! Talvez um pouco espalhado, mas considero unido sim. Ao longo dessa curta jornada já conhecemos amigos que significam muito para a gente e para o projeto. Gente que agrega de uma maneira extraordinária para nossa vida profissional e só conhecemos por causa do meio. Na minha visão, é muito duro batalhar na cena sozinho. Quanto mais amizades e mais pessoas trabalhando nos mesmos ideais, melhor a caminhada. Sejamos cada vez mais Coletivo!

Cinco bandas com integrantes mulheres.
Nathalia: Vai oito!
Naome Rita (PR), Saint Pradier (SC), Ataq Coletivo (SC), Profasia (SC), Menage (SC), Miami Tiger (SP), Far From Alaska (RN), Deb and The Mentals (SP).

Cinco bandas catarinenses.
Nathalia: Bizibeize, End of Pipe, O Mundo Analógico, Quazimorto, Próspera.

Cinco festivais.
Nathalia: Hardcore is Back (SC), Oxigênio Fest (SP), Curitiba HC Fest (PR), SWU – Starts With You (SP), Rock City Festival (SC).

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade pela entrevista. Se puder, deixe um recado para nossos leitores.
Nathalia: O que há de mais precioso nos dias em que vivemos – e, principalmente na situação política em que nos encontramos – é mostrar e sentir que ainda existem pessoas que pensam diferente. Poder construir laços com pessoas só pelo fato de compartilhar dos mesmos sentimentos é incrível. Melhor ainda é poder confiar e depositar as energias positivas em quem você chama de amigo.
A gente vive em um sistema em que o dinheiro se torna necessário sim, mas jamais podemos deixar que um pedaço de papel controle nossas vidas. A partir deste posicionamento começamos a nos questionar: Será que basta ter dinheiro?
Na minha visão, existem moedas muito mais valiosas que o dinheiro. São moedas abstratas que preenchem espaços que o dinheiro não pode comprar. E posso afirmar: não há dinheiro no mundo que pague o sentimento de fazer a diferença!

Obrigada Urussanga Rock Music pela oportunidade e pela visibilidade.
“Tamo junto!”


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