terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

13° Otacílio Rock Festival: O Metal Emerge do Interior Catarinense

O Festival

Nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, a cidade de Otacílio Costa- SC no Planalto Serrano Catarinense, recebeu milhares de headbangers munidos pela ávida vontade de rever os amigos, ouvir uma boa música e encontrar-se com a essência da natureza.

A Urussanga Rock Music se locomoveu a partir de Lages com uma excursão “faca na bota” que traziam amantes do Metal, reincidentes do OTA e a harmonia de um caminho tranquilo até a cidade.



Ao chegar na Fazenda Cambará, lugar tradicional onde ocorre o fest nos deparamos com uma organização entre os seguranças e funcionários, além da hospitalidade dos organizadores Denilson Luís Padilha, Elienai Souza e Nani Poluceno que vieram nos encontrar e recepcionar-nos.

Sexta-Feira

Então, com um festival um tanto quanto diferente, agora que abriu mais um dia para a difusão das atrações, a tão sonhada sexta-feira. Na fazenda, um público impressionante acompanhava música a música à banda riosulense Balboa’s Punch que gradativamente se mostra mais madura, sólida e traz consigo uma ambiência vasta de estilos musicais.

Balboa's Punch (SC)
Após o grupo, quem tomou conta do palco do OTA foi a Pain Of Soul. A banda blumenauense com 19 anos de história mostrou a competência, o lirismo de Dani, a sincronia aliada com o misticismo habitual que faz o grupo ser um dos mais importantes do estado.

Pain Of Soul (SC)
Com os ânimos à flor da pele, o Black Metal imperou no festival. A Conspiracy 666 foi a primeira representante de Lages- SC a se apresentar nessa edição. Os músicos trouxeram consigo a experiência, a arte e a heresia com suas músicas autorais e alguns covers como o preciosíssimo Emperor.

Conspiracy 666 (SC)
Ao conversar com Luciano Wolf (Ex Conspiracy 666), o músico destacou a organização do festival, a nova “cara” da banda e nostalgicamente através do público cantou músicas de sua autoria e prestigiou os amigos.

Quando a Raging War se dirigiu aos palcos, era nítido a curiosidade dos presentes, visto que o grupo atualmente é um dos que mais se destacam no cenário do estado. Com as músicas contidas no álbum homônimo “Raging War” que gerou diversas críticas positivas (inclusive uma resenha do nosso site) os brusquenses fizeram o caos no OTA, a cada riff e solo extasiavam ainda mais os metalheads que ocupavam os lugares na frente para acompanhar os músicos.

Raging War (SC)
O colaborador do Cultura Em Peso (CEP) Tamanini estava presente no OTA, assim como na maioria dos fests de SC e nos deu dicas de divulgação e difusão do canal. Além disso, o bate-papo passou pelo reconhecimento de festivais às mídias presentes, o trabalho mútuo entre os mesmos com as bandas e sobre o futuro do Metal Catarinense.

A correria incessante nos dividia em acompanhar as bandas, tirar fotos e gravar vídeos comumente registrar os mínimos detalhes do evento. A Tressultor foi a encarregada por fechar á noite. Os músicos de São Bento do Sul- SC não deram sossego para o público e impuseram seu Thrash Metal com riffs agressivos, céleres e rápidos.

Tressultor (SC)
Antes de acabar a noite, pudemos encontrar o idealizador do Heavy Metal Online, Clinger Carlos Teixeira que saiu de Minas Gerais para fazer a cobertura do evento. O mineiro amante do Metal Brasileiro estava muito contente pela recepção, surpreso pela qualidade das bandas e ansioso para divulgar seu projeto sobre “Fascismo e Nazismo na Cena”.

Sábado

Após imprevistos como “perder o colchão inflável” tivemos uma mudança de planos e chegamos atrasados ao evento, impossibilitando de acompanhar os workshops de bateria de Carlão Fernandes (Khrophus) e João Ortiz (Frade Negro).

No entanto, a primeira banda a se apresentar no sábado, foi a lageana Jhonny Bus que trouxe releituras de clássicos, músicas autorais como “Shadow Walker” e a experiência de mais um OTA na bagagem.

Jhonny Bus (SC)
Com a abertura da sala de entrevistas, havia mais um motivo para o desdobramento entre o pavilhão e o Jeep Clube (Espaço de imprensa preparado para receber às bandas que se apresentavam no evento). Lá no palco, a Rest In Chaos impressionava, seja pelos excelentes equipamentos, pelo entrosamento e principalmente pela mescla entre o Hardcore, o Thrash e o Death Metal, totalmente sem estereótipos fazendo com quem o ouvisse criasse sua própria percepção.

Rest In Chaos (SC)
A fotógrafa Vanessa Boettcher estava na cobertura pelo CEP e também pôde dividir experiências de festivais, do cenário e das mídias. Além disso, apresentou-nos o frontman da Opus Tenebrae, Roberto Opus com que gentilmente concedeu um adesivo do grupo e um disco para resenha.

Enquanto isso, a Spiritual Devastation trazia na íntegra o álbum “War And Peace” no setlist. O grupo de Lages- SC deu abertura às primeiras rodas e do início ao fim exibiu a velha chama do Thrash Metal oitentista. Com uma formação diferente, Thiago Tigre (Ex Neófito) pôde complementar à sonoridade linhas de baixo densas e técnicas.

Spiritual Devastation (SC)
A Frade Negro foi a quarta banda a se apresentar. A banda sul jaraguaense com 15 anos de estrada retornava ao Otacílio, e nesse reencontro personificou-se o peso, a coesão, e os vocais energéticos de Rodrigo Santos.  É claro que não faltaram os clássicos, uma vez que os músicos mesclaram faixas do “Black Souls In The Abbys” e do mais recente “The Attack Of Damned”.

Frade Negro (SC)
Lá do Jeep Clube podemos ouvir uma espécie de destruição, riffs com uma velocidade surreal e no momento que chegamos ao pavilhão, a Chaos Synopsis era quem presenteava com esses aditivos. O grupo paulista fez uma catástrofe no fest, a partir disso foram feitos vários moshes e rodas que levantavam quem estava próximo.

Chaos Synopsis (SP)
Dessa vez, quem assumiu o palco do OTA foram as mídias independentes e a imprensa especializada do fest. Além de nós, o CEP estava lá com Jonathan Dino e Vanessa Boettcher e o Heavy Metal Online pelo Clinger Carlos Teixeira.

A Posthumous que nada tem a ver com isso foi a sexta se exibir no sábado. A banda de Death/Black Metal praticamente fincou suas raízes, mesmo com alguns problemas técnicos. A cada música, uma sensação díspar, pois ali estavam gerações diferentes que reproduziam as canções do renomado disco “My Eyes They Bleed” e faixas do novo trabalho em desenvolvimento. Os criciumenses conseguiram atrair a atenção dos metalheads que ajudavam R.Satan a cantar os clássicos do grupo, como “Final Sacrifice”, “Fuckhrist” e “Crowley Hordes Attack”.

Posthumous (SC)
Em virtude da realização das entrevistas, organização das fotos e vídeos através do computador, perdemos boa parte do show da Genocídio. Entretanto, pudemos acompanhar uma grande presença do público, praticamente lotando o pavilhão e rodas incessantes ao longo das últimas canções.

Genocídio (SP)
A hora mais esperada chegou, a primeira apresentação da banda norte-americana no Brasil, e exclusivamente para Otacílio Costa- SC. Com um pequeno atraso, o Whiplash subiu ao palco da Fazenda Cambará. O show do grupo foi marcado pela preservação dos clássicos, por algumas faixas do “lado b” e principalmente pelo carisma dos músicos que durante a exibição, presenteavam os seus fãs com camisetas e palhetas. O frisson exalava no fest e o enigmático Tony Portaro mostrava que ainda estava em forma ao fazer solos descomunais e movidos a celeridade habitual.

Whiplash (EUA)
A Final Disaster de São Paulo- SP teve a difícil tarefa de segurar os metalheads depois do show dos norte-americanos. O que se pôde ver no show dos paulistanos foi uma qualidade única, uma notória presença de palco de Laura Borssatti, a interação de Kito Vallim e um hermetismo de elementos visuais, sonoros e consequentemente da difusão do hidromel do grupo.

Final Disaster (SP)
Com a parceria de Rubens Silva (Acidemia e Maquinários), contamos com a ajuda para registrar o show da Krucipha. De acordo com o músico, o show dos paranaenses foi mais rápido que os demais em relação à duração, obteve algumas falhas técnicas no início da performance, mas que rapidamente foram sanadas e deram lugar à pancadaria, a riffs velozes e a um brutal “Wall Of Death”.

Krucipha (PR)
A Carniça se apresentou pela segunda vez em SC. O grupo originário de Novo Hamburgo - RS mostrou que o Death Metal consegue ter várias facetas, seja pela similaridade com o Kreator em certas canções, em outras pela forte característica de Slayer ou até mesmo pela presença de um Heavy Metal Clássico. No entanto, o que funde ao instrumental são as letras que abordam assuntos ligados ao RS como na canção Carniça e elementos sociais nas restantes. Obviamente, não poderia deixar de citar a reprodução do clássico “Midnight Queen” responsável por um coro e um grande mosh no fim da apresentação.

Carniça (RS)
A Angry encerrou às atividades do sábado, quem estava presente no show dos paulistas notou que o horário, o cansaço e o público mais escasso não foram fatores que atrapalhassem a performance dos músicos. Foi um “descarrego” de potencialidades, riffs rápidos e de clássicos como “Future Chaos”.

Angry (SP)

Domingo

A primeira banda a se exibir foi a XEI & Sons In Black de Florianópolis, infelizmente não conseguimos acompanhar a apresentação dos músicos. No entanto, a segunda banda do dia foi a criciumense Silent Empire que fez o seu Death Metal tomar conta de quem acordava. A sonoridade ia de encontro com Gorefest e Massacre, vocais mórbidos, instrumental sólido e cru e claro as baquetadas descomunais de Israel Horstmann. Cabe destacar às canções “Among The Wolves”, “Hail The Legions” e “Destroy Doctrine Divine”.

Silent Empire (SC)
O Subsolo também marcou presença através de Sidney Oss Emer da banda OmniFarious. No intervalo dos shows, o blumenauense nos levou até seu acampamento e lá juntamente com Thiago Correa (Festival Winter Knights) falamos a respeito do cenário do Oeste Catarinense, das edições anteriores do fest de Campos Novos- SC e sobre os principais empecilhos enfrentados em um evento.

Todavia, a Witches Town estava na metade de sua exibição. O grupo composto por músicos conhecidos e provenientes de outras bandas como Fuzilador, Mr Fear e Reggrety fizeram com que o Heavy Metal predominasse do início ao fim através das suas músicas autorais.

Witches Town (SC)
Quando a Syn Tz surgiu no palco, os metalheads pouco a pouco surgiam para assistir à apresentação dos balneariocamboriuenses. O grupo é um dos mais notáveis de SC, em sua forte característica tem a intensa presença de palco de Jay, os riffs agressivos de Marcos Aurélio Girardi e a sincronia entre baixo e bateria. Os fãs presentes, a cada canção cantavam os clássicos do grupo, principalmente “Louder”, “Mirror” e “The Decline”.

Syn Tz (SC)
A Metal Gods foi a única representante de tributo/cover. O grupo florianopolitano fez uma ótima performance com canções da banda inglesa Judas Priest.

Tinha que ter “prata da casa” e teve. A Legado Frontal de Otacílio Costa- SC mostrou que o Metalcore ainda está vivo no âmago dos músicos. A banda mesclou músicas autorais e covers de grupos referências para os mesmos.

Legado Frontal (SC)
Uma das apresentações mais esperadas, a Hillbilly Rawhide era uma das headliners do evento. Os músicos paranaenses trouxeram o Country Rock para catalisar os nervos dos já cansados headbangers. Com direito a banjo e a violino exibiram seus hits “Cavaleiros da Morte”, “Uma Cachaça, Uma Cerveja e Um Remedinho”, “Vida de Bandoleiro” e com gritos contínuos do público, a preciosa “O Enxofre e a Cachaça”. O encerramento do OTA fez com que a multiculturalidade estivesse presente durante todo o fest e a pluralidade de ritmos personificasse a essência que mantém 13 anos viva no underground do Sul Brasileiro.

Hillbilly Rawhide

Up Rock

O estado de SC tem como característica a difusão de festivais e eventos com camping, ampla estrutura e a conexão com a natureza. No entanto, uma ideia surgida a partir de Adriano Ribeiro (Khrophus, River Rock) fez com que organizadores de festivais se reunissem para manter um elo, estruturar e ampliar a imagem de SC no Metal Brasileiro.

Up Rock (SC)
Com isso, na noite de sábado integrantes do coletivo subiram ao palco do OTA e lá expuseram seus projetos, suas ideias e um pouco sobre o futuro dessa reunião. Estiveram presentes, Danniel Bala (Agosto Negro e Laguna Metal Fest), Denilson Luís Padilha (Otacílio Rock Festival), Ivan Fabio Agliatti (United Forces Fest), Cleiton Falcaozinho e Tailana Furni (Rock In Hell Do Campo), Adilson Frenzel (River Rock Festival), Marcos Valério (Iceberg Rock Fest) e Ana Carla Gabriel e Karen Schneider (Um Dia Livre Rock Festival).

Bandas presentes

Hoje para se fazer um festival, são necessários muitos fatores e um deles é o de público. E para ser justo, tem que lembrar as bandas presentes no evento que mesmo sem ter se apresentado, estiveram apoiando trazendo integrantes para contribuir com o evento.

Algumas das bandas são Acidemia, Cerebral Cannibal, Imago Mortis, Jelly Shots, Lacrimae Tenebris, Malice Garden, Maquinários, OminiFarious, Opus Tenebrae, Overblack, Red Razor, Rhestus, Simphony Draconis, Somberland, They Come Crawling, Verbal Attack, Volkmort e Vultorn. (se sua banda esteve no evento, nos contate que divulgaremos)

Experiências

Na 13° edição do Otacílio Rock Festival, uniu diversas tribos, distintos costumes, variados sotaques e uma única similaridade, o amor ao Rock/Metal e aos tradicionais eventos de camping.

Em conversa com um motociclista de Rio Claro- SP, o mesmo explicitou a honra de viajar 1000 km até o festival. Com um grupo de amigos do moto clube, ele veio pela primeira vez e se surpreendeu com a quantidade de pessoas, com as bandas que se apresentaram e pela simplicidade e acolhimento dos otacilienses.

Outras cidades como São Carlos- SP, São Paulo- SP, Santos- SP, Macaé- RJ, interior do Paraná, interior do RS, e lugares distintos de SC fizeram parte do OTA 2019. Cada um com sua experiência, sua forma de contar para seus amigos e consequentemente a sensação de pegar a estrada para valorizar o underground. Isso com certeza não tem preço!
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