segunda-feira, 4 de março de 2019

Dark Phantom: O Metal Iraquiano como forma de resistência

O Iraque é um dos países mais importante do Oriente Médio, o país constantemente enfrenta lutas étnicas e frequentemente sofre com a influência estadunidense em seu território, além dessa intervenção internacional, o país é prejudicado por grupos como o “Estado Islâmico” e pela ditadura que fere a democracia e acaba por afetar a liberdade individual.

O Metal, estilo preconizado por personificar as mazelas sociais e apresenta-los através de sua sonoridade, é uma das válvulas de escape para os jovens iraquianos. Uma das precursoras do mesmo no país, foi a Acrassicauda que passou por dificuldades para difusão de seu som e consequentemente exilou-se em outros países.

Foto 1: Arte do álbum
Em 2007, alguns amigos decidiram por se juntar e mutuamente fazer um projeto com o viés de um Thrash/Death Metal. A banda Dark Phantom foi criada em Kirkuk e seis anos depois divulgara seu primeiro material, “Beta” que contém cinco faixas. Em 2016, pela boa aceitação da demo, divulgaram o mais recente trabalho, “Nation of Dogs”.

O disco disponibilizado pela Nuna Records em parceria com a Antichrist Hooligans Distro traz dez faixas, “Dark Ages”, “New Gospel”, “Nation Of Dogs”, “Judgement Call”, “Unholly Alliance”, “O! Holocaust”, “Atomosphere”, “Confess”, “On The Brink Of Terror” e “State Of War”. O álbum foi mixado e masterizado por Mir Shamal e obteve a criação de sua arte por Ece Bas e Qasim Kx.

A primeira faixa “Dark Ages” introduz o full length. Logo “New Gospel” começa com riffs perturbadores e céleres, o solo no meio traz um êxtase. A canção expõe a hipocrisia religiosa e seus respectivos dogmas através de versos críticos à mesma.

A homônima “Nation Of Dogs” é uma das principais do disco. A faixa se evidencia através de riffs técnicos, de um vocal áspero, dos backing vocais e da sincronia entre os integrantes. A mensagem pesada aos detentores do poder explicita a arte da capa do álbum, a nação dos cães é simbolizada através da religião, do capitalismo e da ambição humana. A canção possui um videoclipe no YouTube com mais de 23 mil exibições.


A quarta faixa “Judgement Call” é uma afronta aos conceitos de Jihad e do Islamismo, ela mostra as mazelas da religião e do respectivo sistema que predomina a desigualdade social e austeridade. Ela começa com um instrumental constante, uma atmosfera mais Heavy Metal e rapidamente passa para os guturais de Mir Shamal que de forma caótica interliga ao refrão.

“Unholy Alliance” é cadenciada até ao extremo, os seus 03:17min a colocam como uma solidez descomunal expressa no solo do instrumental. A letra aborda temas políticos, socioeconômicos e de repressão, como armas, produtos químicos e máscaras.

A canção “O! Holocaust” é uma das melhores do “Nation Of Dogs”. A sonoridade díspar e lenta, além dos backing vocais são ingredientes para a tornarem um hit dos iraquianos. A composição ressalta o poder do homem e suas características autodestrutivas.

“Atomosphere” também obtém um videoclipe no YouTube e angaria mais de duas mil visualizações. A faixa mostra uma metáfora de “átomo” com “atmosfera”, além de questionar a repressão e os resquícios da guerra proposto para controlar a população. Ela é rápida, concisa e agressiva, é uma espécie de petardo aos ouvidos de quem a ouve.


A oitava canção “Confess” retrata a irracionalidade humana atraída por mentiras, por discursos vazios e pela fé cega em dogmas. Com um rico instrumental, a música caminha por novos rumos, mostra riffs encorpados e densos através do enfoque tons harmônicos, e ao mesmo tempo crus.

“On The Brink Of Terror” com 02:53min é uma das mais curtas do material, no entanto desde seu início já ingressa a celeridade no instrumental e a morbidez aos vocais. Já a sua letra, mostra o regresso intelectual que a religião impulsiona através de quem a segue.

Ao encerrar o disco, o sentimento de querer mais músicas, e nada melhor que “State Of War” para finalizar. A música é uma crítica direta à ocupação estadunidense e europeia, além das ironias sobre os resquícios que isso causaram ao país. A sonoridade em alguns momentos é pesada, em outros através de backing vocais fica cadenciada, mas a junção disso resulta uma experiência ímpar sobre a mescla do Heavy Metal ao Death Metal.

Foto 2: Facebook da Banda
Formação Atual:
Mir Shamal (Vocal)
Murad Jaymz (Guitarra)
Rebben Hashim (Guitarra)
Sermet Jalal (Baixo)
Mahmmod Qasim (Bateria)

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4 comentários:

  1. Gostei bastante, graças ao review, estou aproveitando o material da banda. Muito obrigado! Continuem com o ótimo trabalho!

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    1. Muito contente pelo interesse no material e pelo feedback sobre nossas resenhas!!!

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  2. Parabéns pela resenha e obrigado por apoiar nossos lançamentos.

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