quarta-feira, 27 de março de 2019

Hillbilly Rawhide: O Country Rock enraizado na cultura paranaense

A banda Hillbilly Rawhide foi criada em 2003 na cidade de Curitiba- PR e carrega em sua bagagem diversos álbuns, videoclipes e histórias para contar.  Recentemente, os músicos se apresentaram no 13° Otacílio Rock Festival.

O vocalista e guitarrista Mutant Cox nos concedeu uma entrevista sobre a trajetória, experiência, cenário e novos projetos.

Foto 1: Facebook da Banda
 Primeiramente, agradeço pela disponibilidade pela entrevista. Vocês estão na estrada há 16 anos e carregam consigo a posição de banda precursora do Country Rock no Brasil. Como vocês avaliam o crescimento durante esse período?
Mutant Cox: Nós é que agradecemos pelo espaço! Sim, acho que pode se dizer que fomos os primeiros a fazer essa mistura do Country com Rock n Roll no Brasil, dessa forma como fazemos.

Começamos de uma maneira bem crua, na raça, tocando basicamente versões de Country Music, Psychobilly, Rock n Roll e fomos desenvolvendo aos poucos o estilo da banda e cada um no seu instrumento. E o que mais ajudou realmente foi a estrada, a constância de shows que sempre fizemos muito desde o começo da banda, sempre viajamos muito e tocamos fixo toda semana por uns 15 anos em Curitiba. Então, isso acho que é a melhor forma de firmar uma banda, entrosamento e tudo mais!

Sobre o estilo em questão, quais foram as principais dificuldades que vocês tiveram para expandir o Country Rock no país?
Mutant Cox: Dificuldade maior para nós, talvez seja um pouco de preconceito que algumas pessoas tenham pelo fato de tocarmos de chapéu, ou de sermos muito pesados... aquela história, muito Country para ser Rock, ou muito Rock pra ser Country! (risos)

Mas no fundo mesmo para mim, acho que isso não importa. Geralmente, as pessoas gostam da gente por se sentirem bem com nossa música ou se identificarem, independente de estilo, ou não, no caso tem várias pessoas que apreciam e vivem especialmente o nosso estilo de vida ou algo parecido. E isso também é muito legal! Mas respeitamos a todos, e sempre tivemos em vários tipos de ambientes, cena, etc.

Isso sempre fez parte de nossa história, a diversidade. E quanto ao estilo acho até que conseguimos expandir bastante. Criamos uma certa leva de pessoas, de várias tribos e estilos, que segue a gente sempre que podem, e várias bandas também que começaram a tocar algo próximo ao nosso estilo pelo país todo. E isso é muito bacana. Ainda vamos tocar muito por esse país também!

No Paraná, há uma espécie de Nashville brasileira. Bandas como vocês, Old Them Crap, Fabulous Bandits e Tiregrito são alguns nomes que surgiram com o estilo em comum. Há algum contato entre vocês e parceria?
Mutant Cox: Há sim, claro! Conhecemos todos eles. E tocamos junto várias das vezes que vamos tocar pela região deles e vice-versa. Sempre nos encontramos por essas estradas da vida! O Eduardo Ribeiro inclusive, que é do Them Old Crap, está tocando banjo e violão com a gente há mais de um ano. E já recrutou nosso baixista Osmar Cavera para tocar com eles também!

O primeiro material “High On The Road” divulgado em 2005 marcou o início do grupo com composições autorais difundidas. O que esse trabalho trouxe para a continuidade do projeto?
Mutant Cox: Esse é nosso primeiro lançamento, o famoso EP da latinha. Pois fazíamos as cópias numa forma bem caseira e cada um vinha numa latinha de ferro verde, com alguns brindes dentro dela, além do CD é claro, que sempre vinha adesivado como se fosse um vinil.

E contém nele, a faixa título "High on the Road", nossa primeira música autoral com letra (pois a instrumental "Fugindo com a Pacoteira" foi nossa primeira música própria), uma versão para o clássico de George Jones "White Lightning".

Essa canção foi a nossa primeira gravação, que entrou na época também num tributo que saiu na Alemanha ao Frantic Flintstones, banda inglesa de Psychobilly dos anos 80. Inclusive poucos anos depois, toquei baixo acústico com eles por alguns anos e o último com parte do Hillbilly Rawhide na formação, chegamos até a gravar um álbum com essa formação aqui em Curitiba e lançar em uma turnê na Europa.

E esse primeiro lançamento foi o impulso e também início de trabalhos de gravação e mixagem do nosso primeiro full album!

Em 2007, fora lançado o álbum “Ramblin' Primitive Outlaws”, o qual misturavam canções em português e inglês com tons humorísticos do cotidiano. Qual a experiência de ter em seu primeiro registro a difusão de um selo alemão?
Mutant Cox: Esse disco foi fundamental na nossa história! Pois estávamos já tocando com a banda a uns 3 anos e ainda não tínhamos um álbum. Também não tínhamos tantas músicas próprias, por isso até que ele além de misturar português com inglês, também mistura próprias e versões, como Johnny Cash, George Jones, Tall Boys, ou a clássica Rawhide! E foi lançado antes na Alemanha pelo selo de Psychobilly e Rockabilly: Crazy Love Records.

E pouco tempo depois no Brasil pela Funeral Music, que era na época o selo do Vladimir Urban, meu parceiraço de mais de 20 anos em outras duas bandas minhas, Os Catalépticos e Sick Sick Sinners! Lançamos em um show histórico no Psycho Carnival na época. Festival que acabamos de completar 20 anos todo carnaval em Curitiba! Ele também é organizado pelo Vladimir junto com o batera do Sick Sick Sinners, o Neri (Orleone Recz). Que também lançou nosso segundo lançamento, o EP "F.N.M.", o famoso "fenemê", que contém talvez nosso maior clássico, "O Enxofre e a Cachaça"!

Um dos maiores sucessos do grupo, “O Enxofre e a Cachaça” foi lançado em 2008 no Ep “FNM”. A música rapidamente ganhou notoriedade e levou grupo a ser reconhecido em todo o país. Como foi o procedimento de criação da mesma?
Mutant Cox: Essa música foi composta na verdade por outro parceiraço meu e da banda por toda nossa história também, o Ademir Tortato, vocalista e compositor do grande Ovos Presley, banda lendária do Psychobilly curitibano.


E eu na verdade ajudei ele com uma coisa ou outra só para finalizar a música. E assim que tocamos no primeiro ensaio dela, já saiu do jeito que ela é! E desde então sempre foi uma das músicas mais fortes e mais pedidas nos nossos shows, já era um 'clássico' desde o começo!

Depois disso, fora divulgado o álbum “Lost And Found” que trouxe à tona outro hit dos paranaenses, “Cavaleiros da Morte”, música que enfatiza histórias do estado do Paraná e sua cultura em geral. A inspiração para elaboração dela e de outras canções com a mesma temática partem de qual pressuposto?
Mutant Cox: O "Lost and Found" foi lançado numa época em que estávamos a algum tempo sem lançar algo novo, mas tínhamos algumas músicas e repertório novo para gravar, então fizemos uma gravação ao vivo em parceria com o estúdio Audio Ataque em Curitiba.


E contém também a primeira gravação de outro 'clássico' nosso, "Cavaleiros da Morte". Que é inspirada na história do Cerco da Lapa, uma guerra que aconteceu por aqui na região dos Campos Gerais no final dos anos de 1.800. E foi uma guerra muito sangrenta, que poucos sabem da história no resto do país. Achamos um tema muito forte também e importante de relembrar. Então nosso violinista Mark Cleverson veio com a ideia e a composição dessa música.

De 2012 para cá, três novos discos e algumas músicas inéditas, além da menção honrosa para o videoclipe de “O Enxofre e a Cachaça”. Isso proporcionou uma rápida ascensão ao patamar de ser um dos grupos mais respeitados do PR. Como foi a sensação de tocar pela primeira vez no Otacílio Rock Festival?
Mutant Cox: Exatamente, depois de tudo que lançamos, lugares que tocamos depois disso, a banda só ganhou mais respeito, e acho que merecido, pois a gente batalha demais! Estamos sempre tocando, viajando e lançando nosso material aonde podemos! Acho muito importante o reconhecimento e respeito que estamos tendo! Só nos dá mais força e inspiração pra seguir em frente e fazer muito mais!

E tocar no Otacílio Rock Festival foi como mais uma dessas etapas, desses passos que damos, pois era um festival que já conhecíamos pelo nome, primeiro porque sei que algumas outras bandas de Curitiba já tocaram antes e porque também somos fãs do bom e velho Metal! Então para nós foi além de um prazer, uma grande honra fazer parte de um festival basicamente de Metal! Nos sentimos em casa também!

Quais os novos projetos da banda.
Mutant Cox: A meta no momento é continuar divulgando nosso sétimo álbum "My name is Rattlesnake" por onde pudermos! E temos tocado bastante, muitos lugares pelo país afora, e agora em julho e agosto desse ano estaremos lançando ele numa turnê na Europa, passando por quase 10 países, começando no festival Psychobilly Meeting.

Foto 2: Facebook da banda
Um dos maiores festivais de Psychobilly que acontece todo ano no litoral espanhol, próximo à Barcelona. E nessa edição tocaremos numa noite especial 'brasileira' em homenagem aos 20 anos do Psycho Carnival! Inclusive eu também estarei tocando na mesma noite com minhas outras duas bandas, Sick Sick Sinners e Os Catalépticos, junto também com nossos comparsas do Mullet Monster Mafia, de Piracicaba/SP, que também estarão em turnê pela Europa na mesma época! Também pretendemos expandir mais as turnês!

Formação Atual.
Mutant Cox: Hoje contamos com Juliano Cocktail na bateria, Eduardo Ribeiro no banjo, violão e voz, e o mesmo trio base que originou o Hillbilly Rawhide final de 2002, Osmar Cavera no baixo acústico, Mark Cleverson no violino, e eu Ricardo "Mutant Cox" Huczok na voz, guitarra e violão.

Plataformas Virtuais:
Mutant Cox:                                                                        

Contato para shows pode ser com Orleone Recz no Facebook ou pelo email: sentaaporva@gmail.com. Ou com nossos contatos mesmo.

Um recado para quem nos acompanha.
Mutant Cox: Muito obrigado a todos da Urussanga Rock Music e do Otacílio Rock Festival! Principalmente por manter a cena viva! Longa vida e espero poder voltar tanto com o Hillbilly Rawhide como também com minhas outras bandas! Será sempre uma honra!


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