sábado, 6 de abril de 2019

Red Razor: O herói sul-americano não tem sangue europeu

Na última sexta-feira (05), a banda de Thrash Metal, Red Razor, divulgou seu novo trabalho, o single de “Born In South America”.



A música possui 06:11min e exibe um instrumental agressivo, com uma sonoridade célere, veloz e caótica. É notável, as mudanças constantes relacionadas ao contexto sonoro, já que em muitas partes exprime um solo denso e carregado. Ela estará inclusa no segundo álbum do grupo, "The Revolution Continues" que será divulgado no mês de julho. A produção, mixagem e masterização da mesma foi desenvolvida por Alexei Leão no AML Studios, em Florianópolis- SC.

Com a capa elaborada por Marcelo Dod (Surra, Desalmado e Manger Cadavre), a composição faz menção à obra “As Veias Abertas da América Latina” de Eduardo Galeano, trabalho este que regressa há 500 anos atrás ao relatar a exploração e as principais bases da época, seja de forma, social ou econômica.

A europeização é lembrada durante toda a canção, assim como a forma desigual da colonização portuguesa e espanhola, a escravização e dizimação dos povos nativos do continente e a implantação de valores cristãos aos habitantes. Os indígenas sul-americanos foram massacrados, dizimados e obtiveram suas tradições e costumes retirados, até mesmo de alguns livros que exaltam a figura do colonizador.

Aqui, cabe destaque a um paralelo com o cinema Western norte-americano, que sempre passou a imagem do nativo como uma forma demonizada e suas lutas e massacres eram “condecorados” pela população conservadora do país. Atualmente, no Brasil há um genocídio da população indígena, seus direitos estão sendo aos poucos exterminados e sua cultura está cada vez mais rechaçada pelo “bendito homem branco” (Aqui faço uma alusão à banda Brutal Mortícinio com a canção “Estúpido e Podre Homem Branco 
Cristão”). 

O grupo florianopolitano ainda expõe suas opiniões referente a um movimento separatista idealizado no sul do país denominado “O Sul é Meu País”. Esse tal coletivo de Extrema Direita, traz em seu discurso críticas vazias, remete práticas xenofóbicas de separação federativa e uma similaridade com alguns estados do sul dos Estados Unidos que mantém isso como política. A Red Razor se opõe a isso de maneira direta e enfatiza que o único Sul que os representa, é o da expressão América do Sul.

Ainda na letra, os músicos ressaltam o poder da manipulação midiática, a hipocrisia, a história escrita através do sangue dos nativos e citam algumas paisagens mais históricas e belas da América do Sul, que gradativamente são roubadas, extraídas e soterradas na lama por monarquias fracassadas.

Aquelas metáforas, ironias e sarcasmos regados à cerveja e pizza, com o novo trabalho dão lugar a um assunto sério, totalmente atual e que mesmo com sua carga histórica didática, têm resquícios na sociedade atual e no comportamento dos mesmos. O endeusamento do europeu, a ridicularização ao povo originário dessa terra e a valorização de morais cristãs personificam a imagem do “cidadão de bem”.


Foto 1: Nefhar Borck

Formação Atual:
Fabrício Valle (Guitarra/Vocal)
Daniel Rosick (Guitarra)
Gustavo Kretzer (Baixo)
Igor Thiesen (Bateria)


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