quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Juggernaut: A xenofobia e o momento sociopolítico atual são pautas do novo disco “La Bestia”

No dia 10 de janeiro, uma das bandas mais expoentes do Metal Catarinense, a Juggernaut, divulgou seu terceiro disco, “La Bestia”. O full length foi produzido de forma independente e possui oito faixas, sendo sete autorais e um cover da banda estadunidense, Starship.

Foto/Divulgação

Lançado como lyric vídeo no ano de 2016, “TerrorISIS Squad” introduz o disco. A música segue um instrumental cru, brutal e em sua composição aborda o contexto da guerra e terrorismo proposto pelo Estado Islâmico. A banda faz uma crítica à crueldade, desrespeito e violência causada por um esquadrão que não tem um objetivo definido e só praticam destruição em massa, propagando o ódio e ditando regras, segregacionismo e fanatismo religioso.

Com 04:46 min, “Puppets Of Society” é personificada pela celeridade e agressividade. A letra explicita a hipocrisia da sociedade e sua capacidade de criação de fantoches e pessoas com uma mente vazia, que só sabe reproduzir falácias.

A terceira faixa é “Hollow Surface” e particularmente, é uma das melhores do álbum. Nela, é possível identificar a sincronia entre os integrantes, seja pela violência nas baquetas executadas por Alefer, pelas linhas de baixo de Valda, os solos descomunais de Célio e a potencialidade vocal de Cícero. Em sua essência, a mesma trata de assuntos atuais, denunciando formas de terrorismo virtuais e os malefícios causados pela internet.

“Man Of A Thousand Faces” incorpora em sua composição uma similaridade com a situação política evidenciada no país. Um governo sem escrúpulos, baseados num discurso totalmente negligente, rodeado por corrupção, usando a mentira como fator principal de seu “sucesso” e concentrando o poder na mão de poucos. O “petardo nos ouvidos” é nítido e ao passo do desenrolar da canção, há a predominância de um instrumental constante, com riffs rápidos.

A quinta música é intitulada “Human Template” e exibe uma sonoridade ríspida, sem firulas, com vocais mais graves. A letra enfatiza a influência da religião no desenvolvimento da vida das pessoas. Todos estão programados e estabelecidos pela dogmática, a se casar, ter filhos, manter uma vida pacata e principalmente, a maneira como qualquer questionamento e indagação a respeito dessas pendências, torna a pessoa um indivíduo demonizado na sociedade.  

Com um jogo de palavras ímpares mesclados com a aliteração no início da faixa, “Useless Generation” toca na ferida ao mostrar as consequências da vida virtual. A forma como a internet encoraja as pessoas a praticar humilhações públicas, viver uma vida fútil com viés de atualizar o Instagram e angariar seguidores, interação com “fakes”, além da disseminação de notícias falsas com apenas um click. O instrumental é pesado e mantém o Thrash Metal, cada vez mais potencial.

A homônima “La Bestia” é a faixa mais longa do material. Com 05:32 min, ela dá continuidade nos riffs céleres e rápidos. Com a peculiaridade de ser cantada em espanhol e em português, ela expõe toda a xenofobia exercida pelos estadunidenses com os imigrantes ilegais vindos, através da “La Bestia” (o trem da morte), que era o meio que os latinos utilizavam para cruzar a fronteira e chegar aos Estados Unidos.

Encerrando o disco, os músicos fizeram uma bela versão da canção “We Built This City” da banda Starship. Mais cadenciada, porém com o acréscimo de sua identidade, a Juggernaut trouxe uma maneira ímpar de reproduzir a faixa.

O álbum num aspecto geral, salienta problemas enfrentados, sejam pela globalização desenfreada, pela desigualdade social ou pela dominação da internet, na atualidade distópica. O instrumental cerceia a velocidade, pelo peso e é marcado no fim, por trazer uma quebra de tensão, sejam com os assuntos abordados ou com a agressividade característica no desenrolar do disco.

Sobre a banda

A Juggernaut foi formada em 2005, na cidade de Blumenau, em Santa Catarina. O grupo reuniu músicos experientes e logo de cara, lançou uma demo homônima. Com a aceitação no cenário do Thrash Metal regional, os músicos rapidamente se tornaram figurinhas carimbadas, nos principais festivais do estado.

Foto/Divulgação

Em sua discografia, os blumenauenses possuem três discos, “Lines Of The Edge” (2006), “Ground Zero Conflict” (2011) e o mais recente “La Bestia”. 

Formação Atual:

Célio (Vocal)

Cícero (Guitarra)

Alefer (Bateria)

Valda (Baixo)

 

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